Olá a tod@s !!! Bem vind@s ao iDéi@Econômica.

6 jun

Um novo fórum de discussão sobre a atualidade econômica, política e social brasileira, com inserções diárias de notícias, opiniões e artigos que possibilitem a reflexão em direção a mudança.

Participem! …

                           por: Andréia Marques

“A Merkel “

28 fev

Merkel toma banho de cerveja 

A despeito da inundação de “euros” nos últimos meses a fim de contornar a crise da dívida européia (e retomar sua competitividade no comércio internacional na medida em que desvaloriza a moeda) e apesar de estar afundando a Grécia com  seu plano de austeridade fiscal, a timoneira alemã, Angela Merkel, deu um banho de civilidade hoje.

 Sem afetações típicas das celebridades, esbanjou jogo de cintura e desprendimento ao perceber-se “tomada” por cinco  tulipas de cerveja em evento partidário.

Nesse momento, e após uma session de Redescobrindo a Segunda Guerra, começo a perceber o quão importante é a democracia, ou oque chamo de microdemocracia, aquela que não atingiu ainda as superestruturas de poder, mas começa a se delinear sob formas tênues, na convivência e tolerância ao outro e ao erro.

Financeirização, Acumulação Produtiva e Ocupação no Brasil Pós Real

28 nov

Apesar de mudanças recentes na condução da política econômica, ainda não viramos definitivamente a página da história que nos orientou à recessão, desemprego, sub acumulação e dependência.

E por isso, estou retomando as atividades do blog e gostaria de compartilhar com vocês meu trabalho de conclusão de curso  MONO-COMPLETA que recebeu nota máxima sob orientação final da Profa. Dra. Maria Aparecida de Paula Rago, disponível também na biblioteca da Nadir Gouvea Kfouri na PUC/SP, e que traz luz à alguns aspectos do período que compreende os anos 1990 a 2000 onde a predominância da acumulação de capital em seu aspecto financeiro traduziu-se em influxo nos níveis de emprego, renda e produtividade industrial no Brasil.

Fundamentado no conceito marxiano de “capital portador de juros”, em que a formação de riqueza ocorre, prioritariamente, na transformação do próprio dinheiro em dinheiro remunerado por juros durante sua circulação na esfera financeira e independente do processo de produção, discorro sobre as principais características deste novo regime de acumulação e como através do desenvolvimento de políticas de liberalização e desregulamentação a sociedade brasileira vislumbrou seus efeitos mais deletérios no contexto das relações sociais.

É sobre esse preceito que pretendo refletir sobre os acontecimentos recentes na economia e política e publicar meus próximos comentários.

Indico a leitura.

Rage Against The Machine… e liberdade de expressão !!!

11 out

Já havia denunciado, aqui, o papel que exerce a mídia na cobertura das eleições deste ano.

Além da falta de espaço para os candidatos de partidos menores ou com “pouca expressividade” nas urnas e nas “pesquisas”  de opinião,  outros acontecimentos me  chamaram bastante a atenção.

Primeiro a demissão de Heródoto Barbeiro, da TV Cultura, ao sabatinar o “presidenciável” José Serra e questionar os preços dos pedágios em SP .

Depois a  demissão da intelectual, psicanalista e colunista, do jornal Estado de São Paulo, por defender o Bolsa Família e descrever, acertadamente, como pensa e reage a classe média diante da melhoria (ainda que mínima) do padrão de vida dos brasileiros.  ( íntegra do artigo em novo post).

O episódio mais recente foi a Globo ter parado a transmissão ao vivo do show de Rage Against The Machine ao perceber que Tom Morello, guitarrista da banda, tocava vestindo um boné do MST.

Emblemas, opiniões, acontecimentos políticos e sociais importantes passam pelo filtro não mais dos censores da ditatura, mas pelo crivo dos redatores dos grandes jornais e das redes de TV. Estão a todo tempo, nos submetendo à censura enquanto bradam por “Liberdade de Expressão”. Substituímos nossos algozes e nem nos demos conta.

Entretenimento – Futilidade – Desinformação. É baseado nesse tripé que o 4. poder se sustenta. E o que mais me impressiona é que enquanto nos censuram, suscitam dúvidas, sobre o compromisso com a democracia que assume o atual governo.

Oi e Portugal Telecom

30 jul

Fui perguntada por um amigo hoje cedo sobre quais seriam as implicações de uma fusão entre Oi e Portugal Telecom … isso me levou a dedicar alguns minutos do dia à tentar opinar sobre o assunto… Não conheço os pormenores, apesar de acompanhar há pelo menos duas semanas os noticiários, e acho que minha reflexão está sendo bem rasa para tamanha complexidade que apresenta esse tipo de operação… mas lá vai…  além das telefonias serem um cartel com preços administrados, toda vez que entra em operação no Brasil uma empresa estrangeira (mesmo que não detenha controle acionário, como é o caso) é questionável, pois o país volta a ter déficits em transações correntes por conta da remessa de lucros e dividendos, isso desorganiza as contas públicas, reduz a capacidade do estado em honrar compromissos, logo reduz nosso ”rating de investimentgrade” impulsionando o aumento dos juros que inibe os investimentos de longo prazo de maturação. O câmbio sofre interferência, por conta do aumento dos juros e por conta da entrada (primeiramente) e depois por conta da saída de recursos, com consequências para os produtores de exportáveis, para os salários reais, enfim… é um efeito sistêmico, que apesar de extremamente instável tem funcionado e isso que acho mais intrigante. Não deve haver ganhos para o consumidor em termos de tarifa, mas pode ser que amplie o acesso à telefonia em regiões mais ermas do Brasil. Para o trabalhador, no curto prazo, talvez haja benefícios, pois haverão mais investimentos nesse período… só não entendi direito pq que a Telefônica comprou a parte da Vivo que era da Portugal Telecom…

É isso, por enquanto…

Vamos ver adiante !!!!

Sobre o Centro de São Paulo

28 jul

Chegou a hora das eleições. Todos os poderosos apostam suas fichas (e muito dinheiro) nas campanhas eleitorais. Dentre os principais doadores aos políticos estão as construtoras e as associações imobiliárias. Nas últimas eleições, dos sete maiores doadores, seis eram do ramo imobiliário. Mas qual o interesse dessas empresas em “apoiar” candidatos?  No caso de São Paulo, os empresários do setor imobiliário têm um grande interesse: saquear o centro da cidade!

Abandonado nos anos 80 e 90 essa região da cidade foi ocupada por setores de classe média baixa e pobres. Nos últimos 10 anos, as classes média e alta redescobrem o centro da cidade de São Paulo. Cansados de ficarem presos no trânsito para se moverem do trabalho à casa; a saída encontrada por essa parcela da população foi reocupar a região.

Dotado de infraestrutura, transporte, hospital, escola, a região é vista pelas elites como “desperdiçada” ou “sem vida”, porque ocupada pelas classes inferiores, invisíveis. Para as classes média e alta, o centro é lugar cheio de riscos, e nisso elas exprimem e reforçam a criminalização da pobreza: os pobres são, antes de mais nada, perigosos.

Desta forma começa uma cruzada contra os pobres na região central da cidade. O primeiro passo para isso é criminalizar a pobreza, utilizando a polícia para reprimir e roubar as mercadorias dos camelôs. Para que eles desistam de continuar no ramo ou sejam forçados a mudar seu ponto, de tanto terem suas mercadorias apreendidas. Criminalizam os movimentos de moradia, utilizam todo o aparato policial para desocupar os prédios e mantê-los vazios.

Serra e seu amigo Kassab(DEMO) fecharam praticamente todos os albergues no centro da cidade, enquanto ameaçam fechar os estabelecimentos que servirem refeição aos moradores de rua. Catadores de materiais recicláveis têm suas carroças apreendidas, enquanto moradores de rua são acordados de madrugada com jatos de água, numa grotesca “limpeza” orquestrada pela prefeitura.

A cultura popular é retirada do centro a partir da política do PSIU, enquanto os grandes estabelecimentos noturnos operam tranquilamente, mesmo desrespeitando as normas estabelecidas. Enquanto a lei do PSIU servia apenas para “caçar” a cultura popular e retirar as pessoas de baixa renda que se divertiam no centro da cidade, a lei seguiu intacta; já quando começa a ameaçar os grandes empresários da noite, ela é modificada. Assim funciona o nosso Estado, para os amigos dos governantes tudo pode, para o povo aplica-se a “lei”.

Esperando a valorização da região, grandes proprietários fecham seus imóveis por anos à fio (inclusive deixando de pagar seus tributos), para vendê-los ou alugá-los com preços mais vantajosos. Excluindo o povo pobre, e escondendo-o nas periferias das grandes cidades é que vamos mostrar ao mundo que se reduziu a pobreza no Brasil. Quando desembarcarem os turistas para a Copa do Mundo de 2014 o centro da nossa cidade estará  restaurado e livre dos pobres.

Por tudo isso defendemos:

Que se exproprie todos os imóveis abandonados no centro da cidade para moradia popular.

Fim das apreensões das mercadorias dos trabalhadores ambulantes.

O fim de toda repressão aos que querem trabalhar.

Pelo fim da perseguição da cultura popular.


Sobre a Corrupção, a Política e o Povo

22 jul

Mensalão,  caixa 2, super-faturamento, dinheiro na cueca, na meia, etc. Corrupção: todo dia se ouve falar nessa odiável palavra. Em época de eleições é importante nos fazermos essas perguntas: por quê tanta corrupção nesse país? Por quê os políticos estão mais preocupados em enriquecer ilegalmente do que ajudar o povo que os elegeu? Por quê o político fala uma coisa na campanha e faz outra no governo? Por quê tanta mentira, sujeira, enganação? De quem é a culpa disso tudo?

 É preciso admitir: a culpa é nossa, de todos nós, e por dois motivos. Primeiro porque escolhemos mal, porque nos deixamos levar por campanhas publicitárias, musiquinhas pegajosas, desenhinhos, bonequinhos; porque nos preocupamos mais com a vida pessoal e a aparência do candidato do que com sua trajetória política, do que com os ideais de seu partido, etc. Porque o povo brasileiro escolhe o seu candidato na véspera da eleição, porque ele olha para o jornal para ver quem está ganhando e vota nesse qualquer um para não “perder” o voto. Também porque admitimos que o corrupto fique lá no poder, que ele, quando desmascarado, peça afastamento do cargo, candidate-se nas próximas eleições, e lá estará o povo novamente a elegê-lo. Pois é, a culpa é nossa, do povo brasileiro. Mas existe um segundo motivo para admitirmos essa culpa. Um motivo mais profundo que não diz respeito só às escolhas impensadas que fazemos no momento de votar. Afinal, qual é o nosso real poder de mudar tudo isso com um voto a cada dois anos? O problema não é só o candidato que escolhemos, é o sistema que aceitamos. O problema não se reduz a um ou outro deputado, senador, governador ou presidente; mas é a Câmara do Deputados, o Senado, o governo, o poder executivo, a estrutura de poder. O problema da corrupção está na estrutura do governo, a corrupção faz parte da mecânica do governo, ela é a regra do jogo e não a exceção. A exceção é quando ficamos sabendo de casos de corrupção, e o pouco que ficamos sabendo não é metade de tudo o que acontece. Se a corrupção é a regra, quem quiser jogar nesse sistema teria que aceitá-la. Teria? E se propormos novas regras para o jogo da política? E se não aceitarmos mais sermos consultados apenas por dois minutos a cada dois anos? É preciso ver a democracia no Brasil não como algo bem acabado que, com melhores escolhas de candidatos, caminharia suficientemente bem. É preciso ver a democracia do Brasil como algo em construção e que está longe de realizar-se plenamente.

Não é porque votamos que vivemos num país democrático. Não é democrático um país em que um candidato investe milhões numa campanha eleitoral para ter chances de se eleger. De onde vem tanto dinheiro para queimar numa campanha de 3 meses? A máquina, o sistema da corrupção já começa a funcionar antes do governo, nas próprias eleições, na campanha eleitoral. Não é democrático um país em que existam pessoas vivendo em barracos num morro ao lado de prédios de luxo. Não é democrático um país em que o político, o juiz, ou o policial corruptos sejam temporariamente afastados do cargo, enquanto a mãe de família que rouba um shampoo no supermercado seja presa por anos à fio.

No nosso entendimento, só o povo organizado e atuante 100% do tempo pode mudar realmente essa situação. É preciso fazer uma grande e profunda transformação na estrutura de poder da sociedade para acabar com a corrupção. Não há outro caminho para o povo brasileiro. O caminho é difícil, longo e perigoso, mas é preciso ter a coragem de percorrê-lo. É preciso dar os primeiros passos. E para nós alguns dos primeiros passos seriam estes:

1 – defender a proibição de financiamento privado de campanhas eleitorais;

2 – defender a ampliação do uso de plebiscitos e consultas populares para a tomada de decisões políticas;

 3 – reivindicar a multiplicação dos espaços de discussão, participação e decisão popular no desenvolvimento de políticas públicas;

 4 – defender e elaborar uma reforma profunda dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Só a luta libertará o povo da corrupção!

Texto de Rafael Godoy

O debate eleitoral bipolar.

11 jun

Mal foram definidas as candidaturas à sucessão presidencial e a mídia nativa oficial já golpeia o processo democrático. A presença em debates, sabatinas, programas de TV’s, rádios, entre outros, é restrita à  participação apenas daqueles candidatos que pontuam as pesquisas de opinião. Comportamento bastante questionável em vista da legislação eleitoral prever a participação de todos os os pleiteantes de partidos que ocupem posições na Câmara dos Deputados nos debates e apresentações públicas em função das eleições, devendo ser convidados à expor abertamente suas idéias, propostas e opiniões em toda atividade que possa dar-lhes visibilidade e reabrir uma discussão política ampla como prevê o regime pluripartidário no país.

A bipolarização em torno das candidaturas Dilma - Serra, além de ser contraproducente para a discussão política nacional, contraria o próprio processo eleitoral e constitucional brasileiro. A inclusão em menor escala de Marina Silva, apesar de introduzir o novo elemento do ecocapitalismo, não figura exatamente como um projeto de mudança fundamental. Não há nada de novo no front dos projetos  de desenvolvimento para o país. Ambos estão de acordo com a manutenção do programa nascente em FHC e que perdura em Lula, apoiados nessa boa fase de euforia econômica pela qual passa o Brasil, inclusive devido à crise, que, além de não ter prazo para acabar pode nos reservar bastante surpresas que não são observadas nas campanhas dos pretensos elegíveis candidatos.

Fica aí a lembrança da importância de se respeitar o processo eleitoral com a cessão do devido espaço aos candidatos que, mesmo de menor envergadura no coeficiente de votos, possuem importantes contribuições à fazer para o país.

Recomendo… Elevado 3.5

7 jun

Estreou este fim de semana, após uma primeira exibição no próprio Elevado Costa e Silva, o premiado documentário Elevado 3.5. O documentário reúne imagens, sons e declarações dos moradores do entorno do Elevado, mais conhecido como Minhocão. Personagens inusitados exprimem suas impressões, histórias e paixões pela contestável obra arquitetônica e pela cidade.

Uma expressão de beleza em meio ao caos urbano, onde até uma “cicatriz urbanística” ganha aurea, brilho e poesia através dos eloqüentes relatos daqueles que compartilham este importante espaço na cidade.  

Vale muito a pena ver…

Finanças & Sociedade

7 jun

A incorporação ao regime de acumulação financeirizado, consolidado em um movimento mundial que interliga os sistemas financeiros, as redes de comércio internacional e as empresas transnacionais, acabou por limitar no Brasil a atuação direta dos governos no que tange a estabilização de suas economias deixando de agir discricionariamente em sua política econômica e adquirindo pouca margem de manobra frente ao mercado. Assim, privilegiou-se a ostensiva remuneração ao capital usurário em forma de pagamento da dívida pública sob taxas de juros exorbitantes, incentivando o regime de acumulação de riqueza financeirizado e beneficiando, com isso, atividades especulativas em detrimento do aumento da produtividade industrial e conseqüente crescimento econômico ordenado pela criação de emprego e renda. As conseqüências diretas dessa opção vão desde o solapamento da soberania nacional à manutenção de nossa histórica concentração de renda, perpassando ao aumento da pauperização e violência, principalmente, nos grandes centros urbanos.

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